quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Especial: Travessia Costeira da Juatinga (Dia 2)

Ponta da Romana: a quietude do Saco do Mamanguá. /Foto por: Duda Menegassi

2º Dia: De Cruzeiro até Pouso da Cajaíba


O Camping do Orlando oferece a opção de um modesto café da manhã (a estadia com o café da manhã saiu por R$33) de café com leite e pães com manteiga. Mais saboroso foi poder fazer a primeira refeição do dia dentro da cozinha de Maria Antônia, a mulher do Seu Orlando, conversando com ela sobre a região. Uma velha moradora da região, Dona Lígia me indicou que fosse ao bar da sua sobrinha Dita em Praia Grande da Cajaíba, um dos destinos pelo qual irei passar nessa segunda etapa da Travessia Costeira da Juatinga.

Coloquei os pés na trilha às 9h15, mais tarde do que o previsto, em nome da boa prosa. A grande dica para este trecho, que também não é sinalizado, e passa por várias propriedades particulares e caminhos secundários, é “Siga os postes”. Como Alice seguiu a estrada de tijolos amarelos, os aventureiros são convidados a seguir o caminho pelo qual a luz está chegando à Juatinga. Até o final de julho de 2015, quando fiz a travessia, nenhum dos vilarejos tinha energia elétrica, apesar de geradores movidos à diesel e placas de energia solar serem opções muito usadas pelos moradores da região para driblar a falta de luz (sem falar nas fogueiras à beira-mar). 

"Siga os postes", dica local para não perder a trilha. /Foto por: Duda Menegassi
(clique na foto para ampliá-la)
Entre a Praia de Cruzeiro, dentro do Saco do Mamanguá, e a Praia Grande da Cajaíba, banhada pelas águas do Atlântico, tem um morro, e é exatamente ele o maior obstáculo dessa parte da travessia. De Cruzeiro até Engenho, pequena comunidade local ainda dentro do Mamanguá, a trilha é tranquila, e segue praticamente à beira-mar, onde passa, inclusive, por algumas propriedades privadas (bom ficar atento aos cachorros pouco amigáveis), mas é a partir de Engenho que começa a subida. O percurso foi exposto ao sol forte e com trechos bem íngremes, além do ritmo de subida constante nos primeiros quilômetros até alcançar o ponto mais alto do morro. Depois, a descida seguiu mais sombreada, fato que agradeci muito, pois o sol estava a pino. Antes das 14h estava na Grande da Cajaíba e, com alívio, tirei meu tênis empoeirado e minhas meias suadas, e deixei meus dedinhos dos pés livres para descansar entre os grãos de areia. Fui descalça e vagarosa, brindando meus pés guerreiros com a areia molhada e o frescor das ondas, até a outra ponta da praia, onde estão os únicos dois bares do local. Um deles era, de fato, de Dona Dita, onde meu estômago faminto pediu por um PF tradicional de arroz, feijão, peixe e uma porção de aipim para acompanhar. Pedi também uma limonada e o total da conta ficou em 26 reais.

Uma curiosidade: na costa, como a maioria dos vilarejos é abastecido de barco, eles não costumam ter muita oferta de frutas, por isso, a limonada é o suco oficial e mais comumente encontrado por aqui.

A Praia Grande da Cajaíba, uma gigante praticamente deserta. /Foto por: Duda Menegassi
(clique na foto para ampliá-la)
A Praia Grande da Cajaíba é linda e estava praticamente deserta quando passei por lá. Um sossego só, até porque o acesso, assim como as outras praias da região, é feito apenas de trilha ou barco. Para quem quer curtir mais a praia, o próprio bar da Dona Dita oferecia a possibilidade de camping nos fundos da casa. 

Enquanto fazia a digestão e conversava, recebi a indicação do camping da Vânia em Pouso da Cajaíba, meu destino para o final do dia. Despedi-me de todos, alegremente alimentada e reestabelecida e às 15h15 já estava novamente “seguindo os postes” e, agora, as praias. São três: Itaoca, Calhaus e Itanema, até chegar em Pouso. No caminho, o visual é de imensidão, com o oceano à mostra em toda sua plenitude para cortejar o céu, de azul tão próximo, mas vestido de branco-nuvem, como quem acena com pudor para o galanteio oceânico. Ladeada pelo mar e escoltada pelas árvores, dispensei o cansaço e percorri os 4 quilômetros restantes de travessia entre a Praia Grande e Pouso, onde cheguei por volta das 17h, junto com o entardecer.

A paisagem ao longo da trilha que beira o mar e o céu, e nos faz quase esquecer que estamos em terra. /Foto por: Duda Menegassi
(clique na foto para ampliá-la)
Pouso da Cajaíba é a “cidade grande" da costa da Juatinga, por mais que ainda seja primordialmente um vilarejo de pescadores, a aglomeração urbana é maior do que nas outras comunidades. Um morador me indicou prontamente onde ficava o camping da Vânia, próximo da praia, e fui apresentada a ela e seu quintal, onde baixei meu acampamento. A maioria dos campings da região é, de fato, o quintal da casa de alguém. Nesse caso, ainda tive a grata surpresa de achar um chuveiro com água quente, um luxo inesperado e muito bem aproveitado. 

Informações:

Camping da Vânia
Diária c/ café da manhã: R$26,00
(ponto de referência: Padaria Pão de Pizza)

Cruzeiro - Engenho
Distância: 3,6 km
Duração: cerca de 1h

Engenho - Praia Grande da Cajaíba
Distância: 3,5 km 
Duração: 2h15

Praia Grande da Cajaíba - Pouso da Cajaíba
Distância: 4 km 
Duração: 1h45


Pouso da Cajaíba, a cidade "grande" da Juatinga, sem perder o estilo de vida caiçara. /Foto por: Duda Menegassi
(clique na foto para ampliá-la)



4 comentários:

  1. Impressionada com tanta beleza! E ah, adoro teu jeito de escrever! Me divirto refazendo seus passos, mesmo que ainda seja apenas em minha imaginação..

    ResponderExcluir
  2. A praia grande tem uma cachoeira com vista pro mar muito incrível!
    Essa região é demais

    ResponderExcluir
  3. Ansiosa para ler como foi o resto da travessia! *-*

    ResponderExcluir