sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Especial: Travessia Costeira da Juatinga (Dia 4)


Horizonte onde céu e mar disputam pelo tom mais belo de azul, na trilha para Ponta Negra. /Foto por: Duda Menegassi
4º Dia: De Martim para Ponta Negra

Saí do camping do Seu Maneco antes das 8h da manhã. De acordo com as minhas sondagens anteriores, esta seria a etapa mais complicada da travessia, não apenas pelo forte aclive que teria que vencer para chegar no vilarejo de Ponta Negra, mas também porque a sinalização seria praticamente inexistente. E, dessa vez, não haveria postes ou a visão do mar para me guiar, ou seja, olhos atentos na trilha principal para não perdê-la de vista e, consequentemente, me perder também. 

Logo no primeiro trecho, uma bifurcação não sinalizada me confundiu e acabei perdendo meia hora numa trilha antiga e recentemente fechada, até perceber meu erro e retornar à encruzilhada, dessa vez indo na direção correta. O segredo é, de fato, identificar o caminho principal através do assentamento da vegetação. Em um ponto ou outro, uma placa ou uma fita vermelha surge para ajudar os trilheiros, mas não conte com isso. Uma bússola e um GPS podem ser bem úteis.

Uma das raras placas de sinalização do caminho. É preciso estar atento! /Foto por: Duda Menegassi
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De toda forma, depois desse primeiro equívoco logo na saída, não me perdi mais. Retomei a trilha com o dobro da atenção nas marcas do solo e segui sem problemas até Cairuçu das Pedras, onde existem poucas casas e um camping para quem quiser parar no meio do caminho ou curtir a pequenina praia de mesmo nome.

A praia de Cairuçu das Pedras vista de cima. /Foto por: Duda Menegassi
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Em Cairuçu me despeço do mar, pois agora a travessia segue Mata Atlântica a dentro, e não fosse a própria trilha puxada para me tirar o fôlego, eu o perderia com a exuberância da floresta que se exibe em todos os tons de verde. Além da beleza, as árvores proporcionam sombra ao longo do percurso inteiro, o que facilita muito a travessia. A subida é intensa, mas na mata fechada é mais fácil reconhecer a trilha e mesmo sem uma sinalização constante, é fácil seguir sem problemas.

Importante: o último ponto de água nesse trecho é em Cairuçu então tenha certeza de que estará abastecido para os mais de 6 km restantes.

Duas horas depois de sair de Cairuçu, estava no ponto mais alto da travessia e havia superado a parte mais difícil do trajeto. A descida tem trechos íngremes, mas o caminho sombreado não te apressa e, tranquilamente, o trilheiro alcança o vilarejo de Ponta Negra. O final da trilha, por aliás, também é problemático em sua sinalização e, novamente, uma bifurcação entre um caminho novo e outro que, aparentemente caiu em desuso, mas não foi propriamente fechado ou demarcado como tal, confunde num primeiro momento. 

Cheguei em Ponta Negra, enfim, cansada, mas com um sorriso no rosto e assim que me informei com alguns locais sobre camping, me dirigi à casa de Ismael e Leia, dois irmãos que administram um acampamento no seu quintal. O entardecer na praia foi a recompensa por um dia intenso de trilha. Depois de jantar um excelente ensopado de lula acompanhado de arroz e salada em um barzinho de frente para o mar (o único aberto em baixa temporada), fui curtir um pouco da grande fogueira que era acendida na areia e do clima de comunidade caiçara.

O entardecer em Ponta Negra. /Foto por: Duda Menegassi
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Na vila, há um orelhão da Oi, em perfeito funcionamento na ocasião da minha estada (ago/2015), mas é um vilarejo com pouca infraestrutura comercial de apoio ao visitante. O sinal telefônico da Oi, entretanto, é praticamente inexistente.

Informações:

Camping Leia e Ismael
Diária: R$20,00
(os donos humildemente me ofereceram um lugar na mesa para tomar café-da-manhã com eles, o qual não me cobraram)

Martim de Sá - Cairuçu das Pedras
Distância: 5,3 km 
Duração: 2h15

Cairuçu das Pedras - Ponta Negra
Distância: 6,5 km
Duração: 3h20


A tradicional fogueira na praia como forma de iluminar e reunir os moradores. /Foto por: Duda Menegassi
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4 comentários:

  1. Muito legal, já conhecia Paraty, mas nunca tinha ouvido falar desse litoral da Juatinga.

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  2. Na boa, dá vontade de largar tudo e morar assim, pertinho da natureza..

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  3. Essa fogueira na praia deve ter uma vibe incrível!

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